segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Da Batalha

Ele anda pelos grupos de soldados acampados. O elmo está seguro embaixo do braço, a espada na bainha. A capa vermelha cobre o corpo e o protegeria do frio, se ele o sentisse. O General de Zeus caminha, calmamente, olhando com jeito de lobo. Desconfiado, quieto, introspectivo: é assim que ele reage sob alerta. Como comandante, enquanto os outros comem, bebem e riem, seu papel é centrar-se e ouvir os sinais, sentir a noite, olhar atentamente. Nunca se sabe o que espreita no escuro. Nunca se sabe o guerreiro perfeito pensa nesses momentos.

Por dentro, ele anseia pela batalha. Sua casa é o campo de guerra, sua vida é o sangue manchando a lâmina. Ele não tem outro ofício que não seja lutar. Defender, proteger, dominar, subjugar. Essa é sua vida e sua função no universo. O que seria de países e reis, se não fossem as guerras comandadas por seus generais?

Ele pára, na orla do acampamento, próximo aos sentinelas. Ainda sem o elmo, coloca-se, automaticamente, na postura de general: peito reto, barriga para dentro, mão direita no cabo da espada, cabeça levantada. Olha de cima e vê o acampamento inimigo, iluminado, do outro lado da terra. "Eles não vivem da guerra como nós", pensa. "Para eles é uma grande dor. Não durarão."

Dito e feito. Pela manhã do dia seguinte, o general corre com seu carro pelo campo, acompanhado de Deimos e Fobos, seus inseparáveis companheiros. Enfiando a espada em quem aparece, urrando e sujando a armadura, Ares vence mais uma batalha. Com o gosto de sangue na boca, ele sobe em seu carro e se retira rumo ao Olimpo. O pai espera notícias boas. A mãe espera seu retorno para junto do trono. A mulher, também aguarda, junto à cama.

Imagem de PxMxRxCx

2 comentários:

Cassia Larrubia disse...

podem falar o que quiserem, Zeus ama muito seu general!

Pietra disse...

E a mulher, tb.
Tanto, que existem dias que Ela se levanta, e com Ele, batalha.