Mostrando postagens com marcador demeter. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador demeter. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Tríade

Hécate é a mais jovem. Se mostra como uma dama entre a adolescência e a juventude. Seu rosto é delicado e bonito, emoldurado por cabelos longos, muito escuros, que contrastam com a túnica branca. Tem dois braços, mas três rostos, que olham em direções diferentes - para frente e para os lados, jamais para trás. Em cada uma das mãos carrega uma tocha. Uma tiara de pedras adorna seus cabelos, negros como a noite.

Perséfone é mais velha, mas não tanto assim. Sua roupa é clara e escura, porque os dois tons são parte dela. Transita na penumbra, mas deixa o sol iluminar seu rosto e seu corpo quando sobe ao encontro de sua mãe. Não é muito amiga do Sol, na verdade. Prefere a noite, o escuro e a Lua. Seu rosto não é simples de ser visto, talvez por ser casada com o deus que não se mostra. Mas usa jóias de rainha e prende delicademente o cabelo com uma coroa prateada.

Deméter é a mais velha das três. Tem olhos astutos e cabelos opulentos. É alta e grande, se movimenta com uma certa dureza e com passos firmes. Veste-se de azul e o trigo dourado adorna seus cabelos. Não usa jóias. Evita ocasiões sociais, mas não se importa de rever a família vez ou outra. Prefere o sol à lua, a lagarta à borboleta, o claro ao escuro, o calor ao frio. Anda descalça e não gosta que falem dela. Nem de suas artes. Nem de seu culto.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

das Filhas de Rhea


























Se os três filhos de Cronos representam o domínio dos monarcas, as três filhas de Rhea nasceram com outro tipo de poder.

Sutil. Escondido. Feminino.

Sentadas no conselho do Olimpo, tecendo juntas em momentos doméstico ou formando a bela figura em banquetes, esse é o papel das filhas: não mandam, mas se sentam ao lado de quem o faz.

Ainda tem seu lugar no Conselho a matrona entre as matronas, Héstia. Mesmo tendo cedido o posto de Olimpiana ao sobrinho Dionísio, ela ainda guarda um lugar de honra. Parece mais velha do que a própria mãe, sentada silenciosa. Ela não se mostra cheia de jóias, nem é trazida aos salões pelo braço de um deus como suas irmãs. Não permitiu que nenhum deles o fizesse, e Zeus não desrespeitou sua vontade. Afinal, esse é seu papel: a união do genos diante da lareira do Olimpo.

Há alguns acentos do Pater, senta-se Deméter, medida entre a serenidade da mais velha e a impetuosidade da irmã subsequente. É mãe sem ser esposa. É rainha sem ter coroa. Os deuses sabem que não é bom perturbá-la e suas maneiras severas são famosas entre os irmãos e sobrinhos e reclamadas sempre que necessário. Não raro, se deixa levar pelos braços do neto três vezes nascido, já que o casamento não é seu território: prefere os filhos - e o doce isolamento entre os humanos.

A caçula entre as mulheres, Senhora do Olimpo, fica ao lado do Rei. Não seria diferente, já que na família o quinhão de Hera é ser esposa. Mais do que mãe, mais do que irmã, ela é a coroa que adorna a cabeça de Zeus, a deusa emplumada que resplande ao seu lado. E graças a Ela, outros casamentos essenciais ao universo se configuram - Perséfone e Hades, Posseidon e Anfitrite, Hércules e Hebe, Afrodite e Hesfesto.

E assim as três participam das grandes decisões. E enquanto eles conversam, as outras gerações, olhando os seis Crônidas, sabem que é ali que reside todo o poder da nova geração de deuses. E que sem um deles, há o desequilíbrio, a fome, a tempestade, o maremoto, a desunião e a morte.

Imagem de andyparkat.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Conversa Olimpiana

Quando Zeus entrou no grande salão, Deméter já estava lá. Sentada em seu trono, menor do que as três grandes cadeiras ao seu lado direito, a deusa bebericava um copo de ouro. O rei parou, braços cruzados nas costas, na porta da sala:

- Chegou cedo.
- Eu sei.
- Muito trabalho?
- Sim.
- Acompanho a vida humana pelo meu mensageiro. Ele diz que as coisas não andam bem.
- Ele tem um bom olho para perceber as coisas humanas.

Ele sentou-se no maior trono de todos, deixando um assento vago do lugar onde a Deusa estava. Quando Zeus olhou novamente para Deméter, ela estava de olhos fechados, esfregando a mão nas pálpebras abaixadas. Ele se lembrou de quando a procurou para conceberem Perséfone. Deméter nunca foi a mais bela das deusas, mas a sua maturidade sempre lhe foi atraente, de alguma forma.

- O Inverno está rigoroso demais no Norte e o Verão chuvoso demais no Sul. - Ela disse, tirando-o de seus pensamentos.

Zeus ficou em silêncio por um momento. Deméter olhou, cansada, para o irmão:

- Isso quer dizer que nenhum dos dois hemisférios vai ter alimento suficiente.
- Eu sei. Mas ainda não é cedo demais para o Norte se preocupar com isso?
- Não. Cedo ou tarde, teremos problemas do mesmo jeito.
- Você terá problemas.
- Sim, eu terei problemas.

Ela se irritava quando o irmão dava a entender que humanidade não era de sua responsabilidade. E Ele sabia disso.

Enquanto ignorava o comentário, ela levou a taça de ouro aos lábios novamente. Pela borda, observou Ganymedes aproximar-se de Zeus, com um movimento sutil. Reverenciou o deus e ofereceu-lhe uma taça de ouro, mais suntuosa do que a de Deméter, e serviu o líquido dourado que saía de uma enorme jarra de prata. Foi até a Deusa e ofereceu o mesmo conteúdo. Ela sorriu e lhe entregou a taça vazia.

- Obrigada. É suficiente por hoje.

Deméter levantou-se. Zeus a olhava, voltando a pensar em como poderia deitar-se com Ela novamente, se Deméter permitisse. Ela andou até a beirada de uma das varandas e voltou a falar:

- As comoditties de algumas safras vão aumentar. Acho que Hermes deveria ser avisado.
- Creio que ele já está ciente, mas irei alertá-lo do mesmo jeito.
- Acho que eu e ele teremos muito trabalho para controlar tudo isso.
- Ainda penso que é melhor vocês deixarem os humanos com suas próprias crises.
- Nosso papel é ajudá-los.
- Não é. Nosso papel é deixar que cada elemento de vida se coloque em seu lugar. Às vezes precisamos ser duros para que eles acertem os eixos.
- Eu sei. Talvez você tenha razão.
- Eu tenho razão.
- Por isso você é o Rei dos Deuses e dos Homens.
- Exatamente.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Das conseqüências do rapto

Dizem que Deméter é inimiga de Aidoneus. Corre, ainda, que Ela não o perdoou pelo suposto rapto de sua filha, e que foi por causa do Senhor dos Mortos que a humanidade quase pereceu.


Nessa horas a Deusa deve pensar que esses humanos, seres amados de Prometeu, não sabem o que falam...

Deo não se zangou com o irmão. Sua ira é, na verdade para outro: o caçula. Ele, Senhor dos Deuses e dos Homens, julgou que poderia usar seu poder de patriarca sem consultá-la. Mas se esqueceu que o universo é dual, e que todo soberano tem sua contraparte na Terra.

Começa com Urano que, apesar de empurrar os filhos para o ventre de Géia, precisava de seu abrigo e de seus ardis. Seu filho, Cronos de curvo pensar, engolidor de deuses, foi o único a se unir e controlar a natureza selvagem dos frutos de Rhea.

Deméter, descendente das deusas da terra, serpente e porca, é a legitimadora do poder dos soberanos, como sua mãe e sua avó foram antes dela. Uma tradição familiar, de força, de matronas, de deusas da terra.

Nada mais natural do que gerar filhos de Zeus e Posseidon. Nada mais natural do que dar sua filha ao Orco, para que fosse coroada sua Rainha.

Mas Zeus se esqueceu disso, ou não se importou. O soberano dos céus não pensou que Deméter, talvez, já soubesse do destino da jovem Koré. E quando a humanidade passou fome, coube a Ele a tarefa de enviar mensageiros para convencer a irmã mais velha de que teria a filha de volta por seis meses. Precisou fazer com que o mundo tivesse sua ordem. Não a original, mas a necessária.


Assim, Aidoneus tem sua noiva, a jovem Koré, que agora é chamada de Perséfone. E Deméter tem a filha ao seu lado - pelo menos por uma parte do ciclo solar.

O único que perdeu foi Zeus. Ele não tem mais a confiança da irmã: desde de o incidente do rapto, ela olha de lado para o Senhor do Olimpo, todas as vezes em que Eles se encontram nos salões celestiais.
Imagens de WRMoore