Elas tecem. Sempre. Desde o princípio dos tempos. Infinitamente.Todos os fios, de todas as vidas, passam pelas mãos das três filhas de Themis.
Ou seriam filhas de Nyx?
Ou, ainda, descendentes de Ananké - a necessidade inominável?
Nada passa indiferente às senhoras do Destino, pois tudo é parte do fio. As minúsculas partículas de amor e ódio, alimentadas por vidas e vidas... as tristezas, as alegrias, as mortes, os nascimentos, os casamentos e os abandonos - todos! - são tecidos pelos dedos ágeis, acostumado com o trabalho essencialmente feminino de passar a lã pela roca.
Continuarão fazendo, mesmo que Zeus caia. Mesmo que Cronos retorne, ou que alguma profecia antiga se concretize. Elas continuam e continuarão a tecer. Indiferentes a tudo e, ao mesmo tempo, cientes de tudo.
As Moirae tecem enquanto falam. Ou tecem caladas. Vestidas de negro, ou de branco. Não se sabe ao certo. Elas se escondem no fundo de uma caverna, na mente de um louco, na ilustração de um arcano de tarot. Sempre diferentes, mas sempre três tecelãs. A velha, a moça, a jovem.
Tecendo sempre. Incansáveis. Fiando o destino dos Deuses e dos homens.
A foto "Lebanese Women Standing Above Destroyed Beirut"
é de autoria do fotógrafo Alain DeJean