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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Visita noturna

A deusa entrou vestida com um branco reluzente, que espalhava brilho por todo o quarto. O cabelo negro, preso à moda romana, também brilhava - como se o luar estivesse iluminando-o permanentemente. Ela sentou-se na beira da cama. Seu rosto era sério e sua voz era etérea:

- Eu sou Diana.

A garota, entre o sono e a consciência, ficou confusa e perdida. "Porque Diana viria a mim?", ela pensou. A deusa da Lua e das feiticeiras, tão mal entendida e confudida, procurando alguém que não olha as Luas Cheias e não corre pelas florestas?

A deusa não se importou com os questionamentos. Talvez porque não foram feitos em voz alta. Seguiu falando, indiferente. Terminou a preleção dizendo que a garota deveria avisar sobre a sua visita.

A moça não sabe o que aconteceu depois. Dormiu, mas não profundamente. Acordou diversas vezes, no escuro, lembrando-se de pequenos trechos da fala e do cabelo iluminado de Diana.

A primeira atitude que tomou, na manhã do dia seguinte, foi procurar meios de dar o recado. Feito.

A deusa não mais apareceu.

Imagem da galeria de kdm042 no Flickr

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Leite e serpentes
























Leite que alimentou Zeus em Creta.
Leite que a Bona Dea verte dos seios.
Leite de cabra, vaca e porca.

Coloque leite num prato, de barro, junto à terra.
As serpentes de Rhea virão bebê-lo.
Só tenha cautela
porque serpentes são pessonhentas.

Elas não envenenam suas semelhantes,
não prejudicam quem também anda junto à terra,
quem sente o frio do chão,
e o úmido da noite.

Mas quem não entende seus mitérios,
e não compartilha de suas escamas,
deve ter cautela com os chocalhos
e com os sibilares das línguas.

Serpentes não perdoam.

Imagem de Garden of Bad Things